30 anos depois – poeminha pra mim

abre a porta, só um pouquinho

um leve sorriso,

escondendo a timidez com a porta entreaberta 

legítimas

curiosidade e despreocupação

não me convida para entrar

mas a energia ao seu redor é o impulso

“tá tudo bem

não precisa entrar tanto

daí você já consegue ver

o que a porta fechada escondia

vai ficar tudo bem”

não importa se a estrada é de terra

se a rua é de pedra

ou se dá pra seguir tocando as nuvens no céu

o que fica para trás é sempre a mesma coisa

talvez apenas não se possa ver de tão alto

mas tá tudo bem

deixa a porta destrancada

pra poder ir e voltar

pra pegar o que precisa

sem precisar de convite para entrar

seguindo a mesma energia

do mesmo impulso

da curiosidade que não cessa

da leveza despreocupada

que a vida encarece